
No Brasil, as “máquinas falantes” surgiram no formato de cilindros e, todos sabemos, foram criadas pelo americano de New Jersey, Thomas Alva Edison. O momento não poderia ser mais precioso para seu aparecimento: 1878 – na sua forma mais aperfeiçoada se chamaria fonógrafo. É este aparelho que nos interessa. Na Exposição Universal de Paris, em 1899, causou grande impacto na familia imperial brasileira. Conta-se que, Dom Pedro II, sua filha a Princesa Isabel e seu genro, Conde D´Eu, além do príncipe Dom Pedro Augusto, foram os primeiros brasileiros a ter contato com o aparelho.
O autor Ari Vasconcelos, em seu livro “Panorama da música popular brasileira”, cita o Comendador Carlos Monteiro de Souza, velho conhecido de Edison, como sendo o apresentador do fonógrafo no Brasil e conclui quem estava presente nas primeiras demonstrações do aparelho: ” vimos assim, que os primeiros a ter sua voz reproduzida no Brasil foram o Visconde de Cavalcante, o Conde de Villeneuve, o Sr Sant´ana Neri, o Dr. Charcot, Sra. Charcot, o Barão de Marajó, senador Pereira da Silva, Marechal Âncora, D. Pedro II, a Princesa Isabel, o Conde D´Eu e o príncipe Dom Pedro Augusto”. Um fato importante, todavia, escapou ao grande estudioso de nossa música. O Jornal do Comércio, de 13 de novembro de 1899, descrevia que ” o príncipe do Grão-Pará falou e o principe Dom Augusto solfejou”. portanto, ao neto mais novo de Dom Pedro II, deve ser creditado o fato de ser o primeiro brasileiro a ter a sua voz gravada cantando.

E por que o momento para o aparecimento do fonógrafo não poderia ser mais propício? Quem responde é o também estudioso José Ramos Tinhorão, em seu Música Popular – do Gramofone ao Rádio e TV, Editora Ática, 1981:
“praticamente contemporâneo da abolição do regime escravo, foi o novo invento que permitiu a coleta providencial de exemplos de alguns gêneros musicais ligados à cultura negro-brasilera, como o lundu e os batuques, os quais certamente ficariam sem registro, não fora a oportunidade histórica da criação do processo de gravar sons”.
Isto nos basta, a literatura é densa e existem ótimos sites na internet que tratam primorosamente desse histórico período.
