Viajando no Som

O começo no Brasil

19/08/2009 · Deixe um comentário

Thomas Alva Edison

No Brasil, as “máquinas falantes” surgiram no formato de cilindros e, todos sabemos, foram criadas pelo americano de New Jersey, Thomas Alva Edison. O momento não poderia ser mais precioso para seu aparecimento: 1878 – na sua forma mais aperfeiçoada se chamaria fonógrafo. É este aparelho que nos interessa. Na Exposição Universal de Paris, em 1899, causou grande impacto na familia imperial brasileira. Conta-se que, Dom Pedro II, sua filha a Princesa Isabel e seu genro, Conde D´Eu, além do príncipe Dom Pedro Augusto, foram os primeiros brasileiros a ter contato com o aparelho.

O autor Ari Vasconcelos, em seu livro “Panorama da música popular brasileira”, cita o Comendador Carlos Monteiro de Souza, velho conhecido de Edison, como sendo o apresentador do fonógrafo no Brasil e conclui quem estava presente nas primeiras demonstrações do aparelho: ” vimos assim, que os primeiros a ter sua voz reproduzida no Brasil foram o Visconde de Cavalcante, o Conde de Villeneuve, o Sr Sant´ana Neri, o Dr. Charcot, Sra. Charcot, o Barão de Marajó, senador Pereira da Silva, Marechal Âncora, D. Pedro II, a Princesa Isabel, o Conde D´Eu e o príncipe Dom Pedro Augusto”. Um fato importante, todavia, escapou ao grande estudioso de nossa música. O Jornal do Comércio, de 13 de novembro de 1899, descrevia que ” o príncipe do Grão-Pará falou e o principe Dom Augusto solfejou”. portanto, ao neto mais novo de Dom Pedro II, deve ser creditado o fato de ser o primeiro brasileiro a ter a sua voz gravada cantando.

fonógrafo

E por que o momento para o aparecimento do fonógrafo não poderia ser mais propício? Quem responde é o também estudioso José Ramos Tinhorão, em seu Música Popular – do Gramofone ao Rádio e TV, Editora Ática, 1981:
“praticamente contemporâneo da abolição do regime escravo, foi o novo invento que permitiu a coleta providencial de exemplos de alguns gêneros musicais ligados à cultura negro-brasilera, como o lundu e os batuques, os quais certamente ficariam sem registro, não fora a oportunidade histórica da criação do processo de gravar sons”.

Isto nos basta, a literatura é densa e existem ótimos sites na internet que tratam primorosamente desse histórico período.

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O começo de tudo…

10/08/2009 · Deixe um comentário

François Rabelais
François Rabelais – Devinière (Chinon), v. 1494 – Paris, v. 1553

Credita-se ao teatrólogo grego Antífanes a citação da existencia de locais extremamente frios onde as palavras (e, por consequencia, toda a espécie de sons) congelavam antes de poderem ser ouvidas. O romancista frances Rabelais, em seu Pantagruel, do século XVI, é quem faz esta menção a Antífanes, na cena em que os passageiros de um navio ouvem, aterrorizados, gritos e palavras congelados desde o inverno anterior, ao derreterem pedras de gelo em que aqueles sons ficaram gravados. Ao serem então degelados punhados de palavras em pedras, Rabelais narra que “depois, então, ouvimos outras maiores que, ao degelarem, libertaram uns sons de tambores e pífaros, outras de clarins e trombetas”. Dois visionários que acreditaram um dia, poderem ser palavras e sons capturados e presos em um invólucro material. Aí está o começo de tudo…

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